Bom briefing para um bom orçamento e boas fotos

Como já falamos no artigo “O que é fotografia Still?”, as fotografias dos seus produtos também são um investimento em marketing, de modo que é importante pensar nelas de forma estratégica, podendo decidir onde serão melhor aplicadas e, por consequência, qual será o investimento necessário. O curioso é que sempre que eu me apresento como fotógrafo de produtos, ou sempre que me procuram para esse fim, as primeiras perguntas que eu ouço são são sobre preço (para não fugirá regra quando o assunto é investimento): “Quanto você cobra? ”, ou “Como você orça o seu trabalho? ”, “É por foto, por produto ou por tempo? ”, etc.. Então, já na largada eu costumo propor calma, pois há diversos fatores que precisam ser considerados antes de se chegar a valores. Sim, estamos falando do Briefing, que nada mais é do que o processo pelo qual reunimos as informações que vão guiar o projeto fotográfico do início ao fim, da forma mais precisa e coerente possível. A seguir eu comento um pouco sobre  os principais itens aos quais se deve dar atenção.

 

 TIPO DE IMAGEM

 

 

Não é uma regra, mas a grosso modo, poderíamos pensar em dois grandes grupos: fotos com fundo branco e fotos com fundo composto. As de fundo branco (aquelas em que o produto parece estar “voando no nada”), são classicamente atribuídas ao e-commerce, embora também possam ter diversas outras aplicações; as de fundo composto são principalmente atribuídas a um contexto de consumo daquele produto embora seja possível entender “fundo composto” como sendo basicamente qualquer coisa diferente do fundo branco), como uma mesa de café da manhã ou o desodorante acima, num ambiente de vestiário, por exemplo. Neste ponto, cabe a você levar em conta a identidade visual da sua marca/ empresa e refletir sobre qual tipo de imagem tem mais a ver com o seu modelo de negócio.

 

 PRAZO E COMPLEXIDADE

ampulheta

Estamos falando do nível de personalização de cada imagem. Aqui, fotógrafo e cliente determinam as particularidades da (s) foto (s) do projeto (é comum que haja alguma agência envolvida e, nesse caso, a ideia costuma vir pronta de lá). Baseados no prazo e no grau de complexidade é que são determinados os recursos necessários para a execução do trabalho, se será preciso um assistente (ou mais…). Mas não estamos falando apenas da captura das imagens, é preciso considerar o trabalho de pós-produção, ou seja, a edição das imagens, se o próprio fotógrafo vai editar as fotos ou se será necessário outro profissional para esse fim. Há casos em que fotógrafo (s) e editor (es) trabalham simultaneamente, para que seja possível atender aos prazos.  De qualquer forma, as imagens são sempre capturadas pensando no resultado final, levando em conta a edição e quanto tempo será necessário.

 

 MÍDIA

 

 

Onde a foto será usada? Num site? Num cardápio impresso? Um outdoor? À primeira vista você poderia pensar “Ah tanto faz, eu vejo isso na hora”, mas nesse ponto é bom mencionar que a mídia costuma determinar as dimensões e demais características do arquivo final. Por exemplo, num e-commerce, o mais comum é que as fotos tenham o tamanho de 1000×1000 pixels, 72 ppi, em sRGB, que é o espaço de cor utilizado pela maioria dos monitores (teremos artigos sobre isso em breve, aguardem!), que é relativamente grande, para ser visualizada com detalhes, mas leve o bastante para que possa ser utilizada na Web, mesmo em celulares 3G (com as limitações do 3G que nós conhecemos bem). Essa mesma foto não poderia ser usada num banner de 1,80m de altura, já dá para supor que o arquivo final precisaria ser bem maior e mais pesado, inclusive pelo nível do tratamento, que exigiria muito mais cuidado (voltamos ao tópico sobre prazo e complexidade).

 

LOGÍSTICA E LOCAL DE EXECUÇÃO

Você pretende enviar os produtos para serem fotografados ou prefere que o fotógrafo vá até a sua empresa? Em geral, a primeira opção parece mais econômica, afinal o fotógrafo não precisa se deslocar até a sua empresa com todos os equipamentos para a montagem do cenário. Mas em projetos com um volume muito grande de fotos a produzir, esse leva e traz de produtos entre a sua empresa e o local onde vão ser realizadas as imagens, pode tornar o processo dispendioso, não só em combustível, pedágio e afins, como no seu tempo ou dos seus funcionários, de modo que a economia pode acabar não valendo a pena. Também há casos em que simplesmente não faz sentido o envio dos produtos, como ocorre com as fotografias de alimentos, que em geral são realizadas no mesmo estabelecimento em que serão servidos os pratos.

 

RESUMO DA ÓPERA

 

É importante mencionar que o preço é apenas o resultado da análise do seu projeto. Podemos dizer que um bom orçamento leva em conta ao menos os quatro itens acima (mas pode haver mais), afinal estamos falando de um serviço personalizado e o natural é que o orçamento também seja. Sim, poderá haver variações de valores entre os orçamentos que você solicitar, isso é natural. O mais importante é que, ao solicitar um orçamento a um profissional de fotografia, você note o cuidado com os detalhes, antes de chegar ao preço. Preço é outro departamento. A propósito, se você quer entender melhor como o investimento em fotografia interfere no seu negócio, recomendo que siga para o artigo Fotografia de e-commerce: Quanto custa?

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Marcelo Colombari

Apaixonado por fotografia e crente de que uma imagem diz mais que palavras. Dedico-me à fotografia Still, com a finalidade de auxiliar os gestores de lojas virtuais a expor de forma satisfatória seus produtos, valendo-se desse recurso como parte integrante dos seus esforços de marketing. Atualmente também escrevo artigos no Blog e-Mania, que é um dos maiores blogs de fotografia do país.